
Por que nunca trato varizes com uma técnica só
- 23 de jul.
- 5 min de leitura
Laser, espuma, endolaser, cirurgia, escleroterapia... se você já pesquisou sobre tratamento de varizes, é bem provável que tenha ficado mais confusa do que antes. A verdade é mais simples do que parece: não existe uma técnica melhor que a outra, existe a combinação certa de técnicas para o seu caso. Cada uma resolve bem um tipo de problema, e o resultado que dura quase sempre vem de usá-las juntas.
Por isso eu não sou defensor de nenhuma técnica isolada: eu escolho *as* técnicas, não *a* técnica.
O primeiro passo: entender que tipo de variz você tem
Antes de falar em laser ou espuma, eu preciso entender uma coisa com você: que tipo de variz você tem. De forma resumida, existem dois grandes grupos:
Veia safena doente e varizes grossas, as varizes mais calibrosas e salientes.
Vasinhos, aqueles vasinhos finos e superficiais.
A base do tratamento é diferente em cada caso. E, sim, é muito comum ter as duas coisas ao mesmo tempo, quando isso acontece, a gente equaliza e trata as duas.
Só depois de entender o que você tem é que faz sentido falar em qual técnica usar. Se as suas varizes são do tipo mais calibroso, vale entender que varizes grandes também têm tratamento.
As principais técnicas, e o que cada uma faz
Laser: uma palavra, duas técnicas diferentes
A palavra "laser" é a que mais gera confusão, porque ela é usada para duas coisas diferentes:
Endolaser, uma fibra com uma fonte de calor na ponta, que navega por dentro da veia e a trata de dentro para fora. É uma excelente técnica para veia safena doente e varizes grossas.
Laser transdérmico, um laser que age de fora para dentro, sobre a pele. É excelente para o tratamento dos vasinhos.
Ou seja: mesmo nome, aplicações totalmente diferentes. E é perfeitamente possível precisar do endolaser para a safena e do laser transdérmico para os vasinhos na mesma pessoa, isso acontece e não é nada raro.
Espuma: uma técnica química e versátil
Enquanto o laser trabalha com calor, a espuma é uma técnica química: eu injeto uma substância esclerosante dentro do vaso, que provoca uma reação e fecha essa veia. A grande vantagem da espuma é a versatilidade.
Trabalhando com concentrações diferentes, de 0,25% até 3%, a mesma técnica trata desde vasos pequenos, com concentrações mais baixas, até veia safena doente e varizes grossas, com concentrações mais altas. Por isso a espuma participa de boa parte dos tratamentos que a gente faz.
Cirurgia: mais moderna do que você imagina
Quando alguém ouve "cirurgia", logo imagina aquele procedimento agressivo, demorado, com corte e ponto, como era feito há 20 ou 30 anos. Naquela época, a cirurgia era a única forma de tratar veia safena doente e varizes calibrosas, não existia laser nem espuma.
E, como não havia mapeamento com ultrassom, muitas vezes se operava quase às cegas: eram cirurgias de 3 a 4 horas, com sangramento e recuperação longa.
Isso mudou. Hoje existem técnicas cirúrgicas muito menos invasivas, que muitas vezes não levam corte nem ponto, com recuperação mais rápida e efetiva.
Se você vai passar por uma cirurgia, converse com o seu cirurgião vascular sobre essas opções mais modernas, é o caso, por exemplo, da microcirurgia de varizes.
Escleroterapia: boa, mas raramente sozinha
A escleroterapia é famosa, por muitos anos foi a única forma de tratar vasinhos. Você provavelmente já ouviu a sua mãe, a sua tia ou a sua avó dizer "vou secar meus vasinhos".
Ela é uma boa técnica. O que a gente foi aprendendo com o tempo é que, sozinha, ela quase nunca basta: a maioria das pacientes tem um combinado de veias que exige outras técnicas para um bom resultado.
Foi por isso que muita gente fez escleroterapia no passado e não ficou satisfeita. Hoje, usada em conjunto com as outras técnicas, ela entrega um resultado muito melhor.
Por que combinar técnicas dá mais resultado
Repare no fio que liga tudo isso: cada técnica resolve bem uma parte do problema, e a maioria dos casos tem mais de uma parte. Por isso eu não acredito em defender uma técnica como "a melhor".
O meu papel não é te dizer que laser é melhor que cirurgia, ou que espuma é melhor que escleroterapia, é entender o seu caso e escolher as técnicas certas para ele.
Muitos médicos não deixam claro para o paciente que, na grande maioria dos casos, mais de uma técnica será necessária. Um exemplo comum: usar o endolaser na safena e o laser transdérmico nos vasinhos, na mesma pessoa.
No fim, quem realmente define o resultado não é a técnica em si, é quem avalia e planeja o seu tratamento. Sobre isso, vale entender o que influencia os resultados do tratamento de varizes.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor técnica para tratar varizes?
Não existe uma única técnica que seja a melhor para todo mundo. A escolha depende do tipo de variz que você tem, veia safena doente e varizes grossas pedem técnicas diferentes das indicadas para vasinhos.
Na maioria dos casos, o melhor resultado vem da combinação de mais de uma técnica, planejada para o seu caso.
Qual a diferença entre endolaser e laser transdérmico?
São dois usos diferentes da mesma palavra, "laser". O endolaser é uma fibra com calor na ponta que trata a veia por dentro, indicado para veia safena doente e varizes grossas.
Já o laser transdérmico age de fora para dentro, sobre a pele, e é usado no tratamento dos vasinhos.
A cirurgia de varizes ainda é agressiva?
Não como era há décadas. A cirurgia foi a primeira forma de tratar varizes e, no passado, era demorada e invasiva, em parte porque não havia mapeamento com ultrassom.
Hoje existem técnicas cirúrgicas muito menos invasivas, muitas vezes sem corte e sem ponto, com recuperação mais rápida.
A escleroterapia resolve os vasinhos sozinha?
Na maioria das vezes, não. A escleroterapia é uma boa técnica, mas costuma não bastar sozinha, porque a maior parte das pacientes tem uma combinação de veias que exige outras técnicas em conjunto.
Usada dessa forma, ela entrega um resultado bem melhor.
Assista ao vídeo original
Sobre o autor
Dr. Eutímio Brasil é cirurgião vascular em Salvador-BA, especialista no tratamento de varizes, vasinhos e doenças da circulação. Seu método é individualizado, da avaliação ao tratamento, um plano sob medida para cada paciente.
Aviso: este conteúdo é informativo e educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso é único e precisa de avaliação individual com um cirurgião vascular de confiança.
Quer cuidar das suas pernas com quem trata varizes de forma individualizada?
Agende sua consulta em Salvador-BA · Fale pelo WhatsApp (71) 99737-8008.
Comentários