
Por que seu tratamento de vasinhos não está funcionando
- 23 de jul.
- 4 min de leitura
Se você já fez várias sessões e continua sem ver resultado, o motivo mais provável é que o tratamento de vasinhos está incompleto. Na prática, muita gente trata apenas "secando" o vasinho por fora, sem cuidar do que o alimenta por baixo. O vasinho quase sempre é a ponta do iceberg, não o problema inteiro. Cerca de 85% dos vasinhos vêm acompanhados de varizes, e enquanto essa origem não for avaliada e tratada, é natural que o resultado não apareça.
Por que o vasinho é só a "ponta do iceberg"
No consultório, atendo diariamente mulheres frustradas com a mesma história: "doutor, faço tratamento para vasinhos e não funciona", "já fiz de tudo e não resolve". Quase sempre, o problema não está no vasinho que aparece na pele, está no que existe abaixo dele.
O vasinho é um microvaso na superfície. Só que, na maioria dos casos, ele não vive sozinho:
Muitas vezes existe uma variz nutridora, uma veia maior que "alimenta" aquele vasinho por baixo.
Em outros casos, há uma veia safena doente, mais profunda, que costuma aparecer só no exame de imagem.
Algumas dessas veias nutridoras saltam à vista na pele; outras só são percebidas com recursos especiais de luz.
Quando se trata apenas o vasinho de fora e se ignora essa origem, a "fonte" continua ativa. Por isso o resultado não se sustenta, e a frustração aparece.
Por que "secar o vasinho" muitas vezes não resolve
Existe um cenário muito comum: locais que oferecem apenas "secagem de vasinho" e aplicam a mesma coisa para todo mundo, em geral, secagem com glicose. O problema não é a substância em si; é usá-la no piloto automático, sem avaliar o que cada perna precisa.
Cada vasinho responde de um jeito diferente e pede um plano diferente. Entender o tipo de variz que está por trás faz parte do trabalho, não é à toa que tratar bem exige anos de formação e desafio técnico constante.
É justamente por isso que eu nunca trato varizes com uma técnica só: a combinação certa depende do que a avaliação encontra.
Se você está fazendo um tratamento pequeno e superficial, é honesto reconhecer o outro lado: ele pode entregar um resultado pequeno e superficial. Isso não é culpa sua, mas vale entender antes de seguir investindo tempo e dinheiro.
Um caso real: três sessões, nenhum resultado
Semana passada recebi uma paciente que ilustra bem isso. Ela estava no meio de um tratamento com outro profissional, tinha feito uma sessão pela manhã e passou comigo à tarde.
Já estava na terceira sessão de "secagem" dos vasinhos e não via resultado. Foi ela mesma quem começou a desconfiar de que aquilo não estava indo a lugar nenhum.
No exame físico, encontrei dois curativinhos na perna, o tratamento tinha durado cinco minutos, só uma aplicação no vasinho. Mas, ao avaliar melhor, o quadro era outro: ela tinha uma veia safena doente, confirmada no ultrassom, e varizes nutridoras que saltavam na pele.
Ou seja, estava tratando só a pontinha do problema, enquanto a safena e a variz que alimentavam o vasinho seguiam intocadas.
Interrompemos tudo e programamos recomeçar do jeito certo, com uma pausa para a perna descansar. No caminho anterior, o resultado que ela queria simplesmente não viria.
O que muda com uma avaliação completa
A lição desse caso é a mesma que repito sempre: uma boa avaliação é fundamental. Tratar vasinhos bem começa por enxergar o que está mais fundo, e, para isso, o ultrassom com Doppler é peça-chave.
Uma avaliação completa procura entender:
Se existe uma veia safena doente por trás dos vasinhos.
Se há varizes nutridoras alimentando aqueles microvasos.
Qual é o tipo de variz e qual plano individualizado faz sentido para o seu caso.
"Ah, mas eu não quero passar na consulta, não quero fazer o ultrassom." Pode ser uma escolha sua, mas aí é preciso aceitar que uma avaliação superficial tende a levar a um resultado superficial. E entender o quanto a sua doença é grave não é sua obrigação: é obrigação de quem está do outro lado, para evitar a sua frustração e cuidar da perna que você tanto deseja.
Se quiser se aprofundar, veja o que realmente influencia os resultados do tratamento de varizes e também os erros mais comuns que comprometem o resultado.
Perguntas frequentes
Por que meu tratamento de vasinhos não está funcionando?
Na maioria das vezes porque ele está incompleto: trata-se o vasinho na superfície sem cuidar da origem, uma variz nutridora ou uma veia safena doente por baixo. Sem avaliar e tratar essa fonte, o resultado tende a não aparecer.
Todo vasinho tem uma variz por trás?
Nem todo, mas a associação é muito frequente: cerca de 85% dos vasinhos vêm acompanhados de varizes. Por isso, mesmo quando você só enxerga o vasinho, vale investigar o que existe mais fundo.
Preciso fazer ultrassom com Doppler para tratar vasinhos?
O ultrassom com Doppler é o que permite enxergar a veia safena e as varizes que podem estar alimentando os vasinhos. É essa avaliação mais profunda que orienta um plano de tratamento com chance real de resultado.
A "secagem" com glicose resolve os vasinhos sozinha?
Pode fazer parte do tratamento, mas aplicar a mesma técnica para todo mundo, sem avaliação, costuma ser insuficiente. Cada vasinho responde de um jeito e pede um plano individualizado, tratar só a superfície tende a deixar a origem ativa.
Assista ao vídeo original
Sobre o autor
Dr. Eutímio Brasil é cirurgião vascular em Salvador-BA, especialista no tratamento de varizes, vasinhos e doenças da circulação. Seu método é individualizado, da avaliação ao tratamento, um plano sob medida para cada paciente.
Aviso: este conteúdo é informativo e educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso é único e precisa de avaliação individual com um cirurgião vascular de confiança.
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